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#11 - Cartilhas e conquistas no fim do ano
Dezembro de 2025

Olá, comunidade BL!
O Bionews chega em dezembro celebrando o encerramento de 2025 com boas notícias! Entre os destaques estão o lançamento das Cartilhas de Passatempos – Educação em Sexualidade, fruto do projeto Fisiodivulgando, além de eventos que marcaram o setor, como aniversários de cursos e PPGs, semanas científicas e jornadas acadêmicas. Tivemos também ações de extensão e as eleições da Direção. Para fechar o ano com inspiração, apresentamos a trajetória da professora Ana Maria C. Filadelfi, e seu compromisso de levar a ciência para além dos muros da universidade. Vem com a gente!
Tempo de leitura desta edição: 8 minutos

UFPR lança material didático gratuito para abordagem lúdica e científica da educação em sexualidade

Foto: Cartilhas Passatempo Volume I e II/Fisiodivulgando
O projeto de extensão universitária “Fisiodivulgando: iniciativas didáticas para aproximar a Fisiologia e a saúde da sociedade”, vinculado ao Departamento de Fisiologia (DFISIO) do Setor de Ciências Biológicas (BL) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lança as “Cartilhas de Passatempos – Educação em Sexualidade” (Volumes I e II). O material, com diagramação finalizada no início do 2º semestre de 2025, busca oferecer um recurso físico e lúdico para auxiliar professores e estudantes a discutirem a educação sexual.
O projeto Fisiodivulgando existe desde outubro de 2020, com o propósito de aproximar a fisiologia e a saúde da sociedade por meio de iniciativas educativas. Seu objetivo central é produzir materiais didáticos e ações formativas que respondam às demandas reais de professores e comunidades externas à universidade, oferecendo oficinas, webinars, vídeos, jogos e sequências didáticas voltadas ao ensino fundamental e médio. Coordenado pela professora Ana Maria C. Filadelfi (que conheceremos mais adiante em nosso Perfil), a iniciativa reúne docentes, técnicos e estudantes de diversos cursos, na produção de materiais didáticos voltados para temas de saúde e educação, sempre alinhados ao compromisso de enfrentar tabus.
A iniciativa vem desenvolvendo diversas ações, como os “Fisiocasts” e oficinas de educação em sexualidade realizadas desde julho de 2023, tanto no Setor de Ciências Biológicas da UFPR quanto em escolas públicas de Curitiba e da região metropolitana. Em 2025, lançou as Cartilhas de Passatempos, materiais didáticos criados para estimular, de forma divertida e acessível, discussões em sala de aula. Utilizando jogos, caça-palavras e outras atividades lúdicas, essas cartilhas tornam mais leves e compreensíveis temas complexos, favorecendo a aprendizagem e a reflexão coletiva.
Volume I – Ensino Fundamental I: aborda a importância do reconhecimento do corpo humano e dos hábitos de higiene. Inclui passatempos sobre cuidados com a higiene íntima, noções de partes íntimas do corpo e a importância de contar com um adulto de confiança para evitar situações de abuso infantil, além de apresentar os diferentes tipos de famílias.
Volume II – Ensino Fundamental II e Médio: aborda questões de pobreza e ciclo menstrual, ISTs, métodos contraceptivos e noções sobre identidade de gênero e orientação sexual.
As cartilhas foram elaboradas em conformidade com as Competências e Habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), propondo que o tema seja trabalhado de forma transversal na unidade temática “Vida e Evolução”. A proposta central é ir além da abordagem biológica ou informativa, frequentemente limitada à prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e gravidez precoce. O primeiro passo para uma educação sexual eficiente é incentivar discussões respeitosas e sem preconceitos.
A equipe responsável pelas cartilhas é formada pelas professoras Ana Maria C. Filadelfi, Ana Lucia Tararthuch, Maira M. R. Valle e Marcelo P. Bernuci, e pela técnica-administrativa Chayanne Federhen. Também participam estudantes que contribuem diretamente para o desenvolvimento dos conteúdos: Anna Carolina de Souza (Terapia Ocupacional), Giulia M. R. Goulart e Mariana C. Naldony (Nutrição), além de Rafaella G. Xavier (Farmácia).
O Fisiodivulgando disponibiliza este e outros materiais didáticos abertos (REA) em sua página oficial no site do DFISIO, incluindo jogos sobre tabagismo, sistemas endócrino e nervoso, diversos relacionados aos temas das cartilhas, além de um especialmente focado na prevenção do abuso infantil chamado “Sai de Perto, Seu Marreco”. Os materiais são disponibilizados online e a Cartilha Volume I já está impressa, enquanto o Volume II está em processo de impressão.
Conheça mais sobre o Fisiodivulgando:

60 ANOS DA BIOQUÍMICA O Simpósio Comemorativo de 60 anos do Programa de Pós-graduação em Ciências-Bioquímica da UFPR celebrou a trajetória e tradição científica de um dos mais antigos programas da área no país. As comemorações culminaram na I Oficina de Autoavaliação e Planejamento Estratégico, voltada a refletir sobre o passado e projetar o futuro do programa. Leia a nota completa. |
![]() Foto: Aspec/Divulgação |
![]() Foto: Aspec/Divulgação | 21ª SEMANA DE ENTOMOLOGIA Entre os dias 28 e 31 de outubro, aconteceu a 21ª Semana da Entomologia da UFPR. Foram 39 seminários apresentados por mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-graduação em Entomologia, além de quatro palestras de pesquisadores que abordaram temas atuais da área. Leia a nota completa. |
XX JORNADA DE FISIOTERAPIA Entre 10 e 14 de novembro, foi realizada a XX Jornada Acadêmica de Fisioterapia da UFPR. Organizada pela equipe docente e pelo Centro Acadêmico de Fisioterapia, a jornada promoveu palestras, mesas-redondas, workshops, apresentações culturais e a Mostra de Trabalhos Científicos, conectando formação, ciência e prática clínica. Leia a nota completa. | ![]() Foto: Acervo CAFIS |
![]() Foto: Aspec/Divulgação | 8º COLÓQUIO DE BIOMEDICINA No dia 19 de novembro aconteceu o 8° Colóquio de Biomedicina da UFPR, em celebração aos 15 anos do curso. O evento, organizado pela coordenação e o Centro Acadêmico de Biomedicina, contou com cerca de 100 participantes no Anfi 10. Veja aqui os destaques. |
MONITORAMENTO DE FAUNA No dia 22 de novembro, o projeto Olha o Bicho! realizou ação no Parque Tingui para conscientizar sobre o atropelamento de fauna urbana. Em dois anos de monitoramento, foram registradas 235 mortes de animais silvestres, principalmente anfíbios. A iniciativa, criada em 2023, mobiliza moradores e redes sociais para ampliar o debate sobre conservação. Leia a nota completa. | ![]() Foto: Acervo Labceas |
![]() Foto: Aspec/Divulgação | NOVA ELEIÇÃO DA DIREÇÃO Em 26 de novembro, a comunidade acadêmica do Setor de Ciências Biológicas da UFPR confirmou, por meio de consulta pública, a chapa única para a direção do setor no período de 2026 a 2030. O Prof. Dr. Thales Ricardo Cipriani foi eleito diretor e o Prof. Dr. Marcelo de Meira Santos Lima vice-diretor, com 319 votos favoráveis. Saiba mais |

![]() Reprodução Jornal Paraná Agora PARANÁ AGORA O Jornal Paraná Agora deu destaque para a reinauguração do Museu de Ciências Naturais e sua primeira exposição temporária. Foram entrevistados o professor Rodrigo Reis, articulador do NAPI Paraná faz ciência, e os estudantes Vinícius Vieira e Milena Campos, que reforçaram o papel do MCN na divulgação científica e conexão entre a universidade e sociedade. | ![]() Reprodução UFPR TV TV UFPR A celebração dos 50 anos do Programa de Pós-graduação em Zoologia recebeu uma matéria completa na TV UFPR. O encontro reuniu diferentes gerações de pesquisadores, estudantes e servidores, com homenagens e o lançamento do e-book “A Fauna Brasileira sob o olhar do Programa de Pós-Graduação em Zoologia”. |



Ana Maria Caliman Filadelfi nasceu em São Paulo, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em 30 de julho de 1970. Passou a infância e a adolescência no ABC Paulista, morando principalmente em São Bernardo do Campo. Como filha única, teve o privilégio de estudar em escola particular, embora com sacrifício de seus pais Ernesto Filadelfi e Albertina Meanedici Caliman Filadelfi, exemplos de dedicação. Sua mãe, Albertina, é uma referência de superação, tendo se formado em Pedagogia aos 75 anos, conquistando o estudo que lhe foi negado em sua juventude e, seu pai, de honestidade e retidão, com 54 anos de trabalho documentado.
Ainda no Ensino Médio, seu interesse pela Biologia foi despertado por um casal de professores jovens e entusiastas, formados pela Universidade de São Paulo (USP). Apesar de ter considerado a Arqueologia — esta última durante a época de ouro de Indiana Jones — a inspiração animou Ana a optar por Ciências Biológicas e ingressar também na USP em 1988.
Na universidade, completou o bacharelado e a licenciatura (plena e curta, na época) em Ciências Biológicas. Seu foco, no entanto, sempre foi a sala de aula. Relembra que, já no segundo dia de faculdade, era uma das poucas que manifestava o desejo de ser professora, enquanto a maioria dos colegas almejava a carreira científica, no auge dos feitos de Jacques Cousteau.
Experimentou estágios com abelhas e na área de manguezais, o que acabou originando sua ênfase formativa em fisiologia da pigmentação animal, estudando o controle endócrino da mudança de cor em vertebrados. Conheceu sua futura orientadora, Ana Maria de Lauro Castrucci, através de uma disciplina de fisiologia humana, e deu seguimento à Iniciação Científica, ao Mestrado e, alguns anos depois, ao Doutorado sob a mesma orientação. Após concluir o mestrado, começou a lecionar em cursinhos pré-vestibulares e ensino fundamental e médio, no entanto, a experiência revelou-se parcialmente frustrante diante das dificuldades enfrentadas em sala de aula.
Em 1995, motivada a buscar novas oportunidades, prestou, em nível assistente, ainda como Mestre, concurso público em Fisiologia Humana e, após aprovação, chegou à Universidade Federal do Paraná. Sua chegada a Curitiba em janeiro de 1996 não foi nada fácil, e as muitas mudanças e adaptações exigiram a coragem de uma vida nova, que ainda a fazia querer voltar para São Paulo nos finais de semana.
Na UFPR, até outubro de 1998, iniciou as aulas para o curso de Farmácia e, logo após, para o de Educação Física, dentre outros, atuando, também, em pesquisa em sua área de formação. No final deste ano, retornou a São Paulo para realizar o Doutorado na USP, na área de Fisiologia Geral, o que consequentemente a aproximou novamente de sua família.
Entre percalços ocorridos durante o mestrado e doutorado e nas pesquisas realizadas na UFPR, o processo reforçou sua vocação para a docência, que sempre esteve em primeiro lugar em sua atuação profissional, até o feliz complemento trazido por outra linha de trabalho: a extensão.
Na Extensão, Ana encontrou um novo propósito, reinventando a prática docente com a interação junto à sociedade. Iniciou ações voltadas à fisiologia humana e saúde, linha que se consolidou no projeto “Fisiologia na educação de jovens para a cidadania” (com várias versões entre 2011 e 2020), inicialmente com jovens aprendizes, e depois com crianças e pré-adolescentes em vulnerabilidade social que frequentavam instituições filantrópicas.
Durante a pandemia, em outubro de 2020, juntamente com colegas do Departamento de Fisiologia, co-fundou o projeto “Fisiodivulgando” (que apresentamos no início deste Bionews). A iniciativa nasceu, especialmente, da necessidade de apoiar professores do Ensino Fundamental e Médio em meio aos desafios das aulas remotas. O projeto mapeou demandas de educadores e atores sociais diversos e, as respostas, vieram de 15 estados diferentes do Brasil, com informações sobre quais iniciativas didáticas e temas de saúde o projeto deveria abarcar. Assim, surge a primeira versão do projeto, através da realização de webinars e produção de sequências, vídeos, jogos virtuais didáticos.
Atualmente, o projeto grava “Fisiocasts” e continua produzindo materiais didáticos, mas atua também em oficinas sobre educação em sexualidade para estudantes e professores, as quais envolvem parcerias com o Museu de Anatomia do Setor, e em 2024, com a Secretaria de Educação. A Professora Ana defende que a Extensão, por impactar diretamente a vida das pessoas com informação e formação, têm importância equivalente à docência e à pesquisa científica, embora ainda não receba o mesmo reconhecimento.
Na vida pessoal, a dança de salão se tornou um pilar importante para Ana. Apaixonou-se e começou a praticá-la ainda nas atléticas da USP, durante o mestrado, quando o estilo estava ressurgindo entre a juventude da época. Em Curitiba, dentre aulas realizadas e participação em coreografias, ela se tornou um ponto de enraizamento e pertencimento à cidade, fazendo-a deixar de querer viajar para São Paulo nos fins de semana, e coadunando com o curso de sua principal carga horária docente na UFPR, a Educação Física.
Com formação técnica em piano, a Professora Ana Maria aprofundou a interface entre música e dança, chegando a realizar, em 2005, uma especialização em dança de salão oferecida pela Faculdade Metropolitana de Curitiba (FAMEC, S. J. dos Pinhais) — a primeira pós-graduação na área no Brasil. Sua história com a dança se estende até hoje, mas foi mais intensa até o início da pandemia. Ela considera que a área artística lhe trouxe mais poesia, humanidade, e um olhar mais flexível para a vida.
Em dezembro de 2021, sua vida foi marcada por um período de um grande desafio pessoal, quando precisou enfrentar repentinamente o diagnóstico de leucemia mielóide aguda. O processo de cura, que se estendeu por um ano, trouxe aprendizados profundos e revelou uma força interior essencial. Nesse percurso, Ana contou com o apoio incondicional de seu companheiro, Igor Augusto Zonta — amor que nasceu na dança anos antes e que, justamente nesse momento difícil, transformou-se em vida conjugal e em um pilar decisivo de sua superação. Sua gratidão, no entanto, se estende também a Deus, pais, familiares, amigos e até pessoas desconhecidas que, em oração, também se uniram pela sua recuperação.
A trajetória da Professora Ana Maria Caliman Filadelfi é marcada pela dedicação à docência, pela reinvenção constante através da extensão universitária e pela sensibilidade artística que encontrou na música e na dança. Sua trajetória profissional e pessoal se entrelaça em um fluxo contínuo de ensinar, aprender e transformar, guiada pelo compromisso de promover ciência e saúde e pelo esforço constante de aprimorar as formas de levar esse conhecimento às salas de aula e para além delas.
A seu ver: “a poesia do movimento não deixa de estar ali também, nas funções dinâmicas, fantásticas e harmoniosas do corpo humano!”
Aproveitamos para dar as boas-vindas aos novos servidores do Setor:

Bem-vindos!

Em 2024, o Setor de Ciências Biológicas comemorou seus 85 anos com muitas celebrações. Dentre elas, um concurso de ilustrações para estampar a camisa comemorativa da ocasião. Apenas uma ganhou, mas os concorrentes não economizaram em criatividade! Relembre com a gente algumas das artes que se destacaram: essa é do discente Fábio Jacinto Storgatto.

Arte: Fábio Jacinto Storgatto
Até a próxima!
EXPEDIENTE
ℹ️ O BIONEWS é enviado mensalmente à comunidade do Setor de Ciências Biológicas da UFPR pela Aspec (Apoio a Projetos Educacionais e Comunicação), com base nas notícias publicadas nos portais do SCB, da UFPR e em veículos de mídia que disseminam nossos trabalhos. Para divulgar sua pesquisa, projeto ou evento, entre em contato pelo e-mail. Acompanhe as novidades do Setor pelo bio.ufpr.br. Siga também o Biológicas no Instagram: @bl_ufpr








