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#13 - De volta ao Universo!
Junho de 2026

Olá, comunidade BL!
Tempo de leitura desta edição: 8 minutos

Estudo em animais sugere que suplementar gorduras boas em excesso pode afetar mães e bebês

Fotos: acervo pessoal Matheus Zazula
Essencial para o bom funcionamento do organismo, a gordura contribui com a formação das células, a produção de hormônios, a proteção dos órgãos, a geração de energia e a absorção de vitaminas. Mas nem toda gordura é benéfica: as insaturadas, presentes em alimentos como azeite de oliva, peixes, abacate e castanhas, têm efeitos positivos quando consumidas com equilíbrio. As saturadas, comuns em carnes gordas, manteiga e queijos amarelos, devem ser ingeridas com moderação. Já as trans, encontradas sobretudo em produtos ultraprocessados, são prejudiciais e devem ser evitadas.
De olho nessas diferenças, o pesquisador Matheus Felipe Zazula, do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), resolveu investigar como suplementos de gorduras consideradas boas durante a gestação afetam a saúde de mães, a placenta, os bebês na barriga, e o desenvolvimento deles depois que nascem. Zazula, que foi orientado pela professora Katya Naliwaiko, quis entender ainda em que momento a gordura deixa de ajudar e começa a ser prejudicial.
Hoje, já se sabe que aquilo que a mãe come na gravidez influencia a saúde do bebê para o resto da vida, e que as chamadas gorduras boas fazem parte das células e ajudam na comunicação entre os órgãos. Além disso, o ômega-3, gordura encontrada principalmente em peixes, sementes e oleaginosas, é importante para o cérebro e o sistema nervoso.
Cientistas já entendem também que gordura excessiva na gravidez pode aumentar o peso dos filhotes e prejudicar o desenvolvimento muscular deles. O que ninguém havia estudado ainda eram os efeitos do excesso de gordura considerada benéfica, principalmente em forma de suplemento.
Outra dúvida era: dá para comer grandes quantidades de gordura na gestação se ela estiver no rol das gorduras saudáveis? Quanto de ômega-3, por exemplo, é seguro para gestantes? E o que acontece quando esse limite é ultrapassado?
O estudo, realizado em ratas, quis preencher essas lacunas. Elas receberam doses crescentes de gordura e, já de início, descobriu-se que 4g por kg de peso corporal já causava problemas. Depois disso, algumas ratas passaram a receber: óleo de peixe (ômega-3), óleo de soja (ômega-6), óleo de oliva (ômega-9), antes e durante a gestação.
Após analisar a saúde metabólica da mãe, a placenta, o leite produzido, bem como o crescimento, a força e os reflexos dos filhotes, a pesquisa concluiu que, quando as gestantes consumiram o ômega-3 em excesso, desenvolveram algo parecido com síndrome metabólica, que inclui dificuldade de usar açúcar (resistência à insulina), inflamação e alterações no colesterol.
Além disso, o leite produzido pelas mães ficou mais calórico e teve a composição de gorduras alterada. Com isso tudo, os filhotes também foram prejudicados, morrendo mais nos primeiros dias de vida, demorando mais para desenvolver movimentos básicos, crescendo menos e tendo seus músculos e órgãos internos prejudicados.
Embora ainda não tenha sido replicado em humanos, a pesquisa dá sinais de que, em excesso, mesmo uma gordura boa como o ômega-3 pode causar inflamação, acúmulo de gordura e efeitos parecidos com outras gorduras consideradas menos saudáveis.
Os próximos passos agora envolvem explicar como essas gorduras alteram os genes e os músculos, em nível microscópico; verificar se dá para reverter os danos nos filhotes quando a mãe teve uma dieta inadequada; e fazer estudos em gestantes humanas, para definir doses seguras, quando suplementar e quando não suplementar.

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CURSO DE FÉRIAS EM FISIOLOGIA O 5º Curso de Férias em Fisiologia da UFPR reuniu estudantes em uma programação de aulas, palestras e atividades práticas, promovendo a integração entre graduação e pós-graduação e aproximando os participantes da pesquisa científica. ![]() Foto: Acervo PPG Fisiologia | XV SIMBIOSE A Semana Acadêmica de Biomedicina da UFPR, com o tema “Mergulhando na Ciência”, proporcionou contato com diferentes áreas de atuação da Biomedicina, promovendo a integração entre estudantes, profissionais e pesquisadores. ![]() Foto: Acervo Centro Acadêmico de Biomedicina da UFPR |
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SEGUNDA EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA DO MCN
No dia 23 de junho, o Museu de Ciências Naturais da UFPR inaugura a exposição temporária “Percursos da Saúde”, que propõe reflexões sobre as conexões entre meio ambiente, saúde e processos biológicos. A abertura também marcará o lançamento do programa Amigos do MCN, iniciativa de apoio às atividades do museu. Saiba mais.


Andrey Andrade completou 10 anos de UFPR este ano. Professor do departamento de Patologia Básica, ele brinca que sua sala parece ser “refeitório, oratório, consultório e até confessionário”, um ponto de parada acolhedor para quem passa no corredor. Especialista em Parasitologia e Entomologia médica, a formação do docente envolve a entomologia, a taxonomia e a parasitologia, com uma especialização sólida, especialmente em relação aos flebotomíneos, grupo de insetos vetores das leishmanioses visceral e tegumentar.
Natural de Minas Gerais, de Bias Fortes, uma cidade com pouco mais de três mil habitantes, saiu de casa aos 16 anos para estudar em Juiz de Fora, com o apoio dos seus pais e tios. Sua família sempre reconheceu a importância da educação e incentivou os seus estudos. Mesmo com certa pressão social para que estudasse medicina ou engenharia, a paixão pelos animais que cultivava desde criança, somada à inspiração em alguns professores que teve, o conduziram à biologia. Como ele afirma: "sempre gostei de bicho".
Cursou Ciências Biológicas na Universidade de Juiz de Fora (UFJF), de onde recorda com carinho e gratidão pela qualidade do ensino e pelos amigos que guarda até hoje. Ainda na graduação, suas experiências, dentre elas, estágios envolvendo artrópodes, a realização de uma pesquisa voltada a malária e a monitoria de uma disciplina de parasitologia, fizeram com que passasse pelos três pilares da parasitologia ainda na graduação, definindo ali qual seria sua especialidade.
Seu mestrado e doutorado foram ambos realizados na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a pesquisa voltada para os flebotomíneos. O interesse pelo grupo surgiu de forma inesperada: ao iniciar o mestrado, ele esperava trabalhar com algum inseto alado, mas imaginava que seriam as moscas, até que surge uma oportunidade de projeto voltado para esse grupo de insetos, e, com o tempo, seu interesse por trabalhar com esse grupo cresce, tornando-se um especialista consistente, com a maioria de suas publicações voltadas aos flebotomíneos.
Para Andrey, ter iniciativa foi fundamental para tornar-se o profissional que almejava e superar os desafios como viver longe da família: “Toda essa fase, para mim, foi extremamente importante para construir o Andrey pesquisador. Ela me deu uma autonomia. Ela me permitiu conhecer pessoas. Porque, como eu disse, eu nunca tive vergonha de pedir e de perguntar, nem de ir."
O pós-doutorado, feito na Universidade de São Paulo (USP) com bolsa pela FAPESP, surge de um desses contatos. Ali também teve o primeiro contato com a orientação de estudantes e a docência, quando sua supervisora, por vezes, confiava a ele as orientações de alunos e idas a congressos. Um tempo depois, passou a atuar como professor visitante na Universidade de Brasília e, nesse momento, descobre sua grande paixão: ensinar.
Depois de algum tempo atuando na Universidade de Brasília (UnB), passou no concurso para parasitologista na UFPR em 2016, quando chega a uma de suas maiores realizações profissionais: atuar como professor titular em uma universidade pública. A partir desse momento, pôde ter mais estabilidade e a certeza de que finalmente estava onde sempre quis.
Para ele, a docência é a melhor parte de sua carreira, onde descobriu ser mais humano, onde reside a oportunidade de ajudar e aprender. Ser professor, em sua visão, além de um grande privilégio, é uma grande honra. Ele conta não medir esforços para dar aulas interessantes, estar em constante processo de aprendizado e dar atenção às questões dos alunos, sejam elas acadêmicas ou pessoais.
Com carinho, o docente costuma dizer aos alunos que eles também são seus “experimentos” e, com toda a convicção, reforça: “sou um professor que pesquisa, e não um pesquisador que dá aula.”
Fora da academia, Andrey define-se como uma pessoa caseira, que encontra prazer nas atividades cotidianas como cuidar das suas cachorrinhas Gilda e Nilda. Seu grande interesse por história também dita seus hobbies, levando-o a acompanhar séries de época, e a manter uma rotina de leituras focada especialmente no Brasil Imperial e em grandes guerras.
E se você ficou com curiosidade e quer indicações de livros do professor Andrey, aqui vão elas:
“Escravidão” (Vol. 1, 2 e 3) — Laurentino Gomes.
Um Defeito de Cor — Ana Maria Gonçalves.
Biografias de Dona Leopoldina, Domitila, Dom Pedro I e Dom Pedro II — Paulo Rezzutti.
Os garotos dinamarqueses que desafiaram Hitler — Phillip Hoose
O Holocausto — Laurence Rees
O mais longo dos dias — Cornelius Ryan

No mês de março a UFPR realizou a campanha UFPR Contra o Feminícidio, quando os "Bancos vermelhos" foram pintados em diversos campus. A pintura de bancos com tinta vermelha, em locais públicos e de grande circulação de pessoas, foi instituída como política pública de prevenção ao feminicídio pela Lei Federal nº 14.942/2024, e a ação reforça a importância de tornar a universidade uma espaço de repúdio à violência de gênero. Na foto, vemos o banco vermelho localizado no Centro Politécnico.

EXPEDIENTE
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