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#10 - No caminho das águas!

Novembro de 2025

Olá, comunidade BL!

O Bionews de novembro mergulha nas águas da ciência e da arte!

A edição destaca a reinauguração do Museu de Ciências Naturais da UFPR e a abertura da exposição “Expedição Caminho das Águas”, que apresenta de forma lúdica a importância dos ecossistemas aquáticos e vem acompanhada de um e-book gratuito, repleto de curiosidades e conteúdos educativos sobre rios, mares e a vida que habita esses ambientes. O boletim também traz reportagens sobre o Simpósio Integrado da Biodiversidade, pesquisas sobre distúrbios do sono e imunidade, vivências da Fisioterapia em espaços termais e o Workshop de Educação Física Escolar, que mobilizou centenas de participantes.

No perfil do mês, conheça Anderson Luiz Christ, novo técnico do MCN e apaixonado pela taxonomia das plantas. E no Toque Final, a escultura “Tartaruga PET Socorro” convida à reflexão sobre o destino do nosso lixo e a força das ações coletivas. Ficou curioso? Vem com a gente!

Tempo de leitura desta edição: 7 minutos

Nova exposição do MCN apresenta a importância dos ambientes aquáticos e lança e-book

Foto: ASPEC/Divulgação

O Museu de Ciências Naturais da Universidade Federal do Paraná (MCN-UFPR) acaba de ser reaberto com espaço mais amplo e uma série de quatro exposições temporárias previstas para acontecer até meados de 2027. A Expedição Caminho das Águas, coordenada pela professora Rosana Moreira da Rocha, é a primeira delas. Sua proposta é apresentar de maneira lúdica a importância dos ecossistemas aquáticos e, além da mostra física, o projeto contempla um e-book para ser usado em escolas, com orientações e dicas de atividades a professores que queiram trabalhar a temática com seus alunos. 

O livro segue a proposta da própria exposição e inicia com o conceito de mata ciliar, floresta que acompanha as margens dos rios e lagos e tem grande importância para a manutenção do equilíbrio ecológico. Em seguida, aborda a presença dos vertebrados nos rios, estuários e oceanos, explicando um pouco sobre os mamíferos, répteis e aves que vivem nessas regiões.

O trabalho também explica o que são bioindicadores, seres que ajudam a revelar a qualidade do ambiente em que vivem, como peixes, foraminíferos e microalgas. Excelentes detetives da natureza, eles indicam a saúde dos ecossistemas. “Os peixes, por exemplo, reúnem uma combinação de características biológicas, ecológicas e tróficas que os tornam sensíveis a alterações no ambiente, mas também capazes de integrá-las ao longo do tempo”, diz o e-book.

Outro assunto tratado no trabalho é a fitorremediação, tecnologia verde que utiliza a capacidade natural de certas plantas para remover, transformar, conter e extrair valor de poluentes do solo, da água e, em alguns casos, do ar. Já falamos sobre isso em agosto, quando abordamos o projeto MARA da UFPR, que usa esse mecanismo para a remoção de antimicrobianos. 

O quinto tema aborda os impactos dos plásticos no contexto do antropoceno — era geológica marcada pela intensa produção de materiais que não se degradam, como o plástico, trazendo riscos para a vida na Terra. O encontro do rio com o mar, intervalo conhecido como estuário, também é contextualizado. O Brasil, que tem uma costa de mais de 8,5 mil quilômetros, possui estuários com uma impressionante variedade de habitats, segundo o livro.

“Apesar de toda essa relevância, os estuários estão entre os ecossistemas mais ameaçados do mundo (Elliott et al., 2019). Entre as principais pressões antrópicas estão a poluição por esgoto doméstico, resíduos industriais e agrotóxicos, que comprometem a qualidade da água e afetam diretamente a vida aquática, o desmatamento e a supressão de vegetação nativa para a construção de portos, empreendimentos turísticos e áreas urbanas, e a alteração da circulação hídrica por dragagens e aterros, que modifica processos sedimentares e afeta habitats críticos”, alerta o texto. 

O e-book se encerra explicando a importância dos costões rochosos, formações de rochas em contato direto com o mar que formam ambientes de transição entre o terrestre e o marinho, e as geleiras da Antártica, que servem como testemunhas da história do planeta. A obra reúne temas apresentados em todas as estações da exposição e pode ser obtido gratuitamente online. Se interessou? Baixe o e-book no link abaixo!

Foto: ASPEC/Divulgação

SIMPÓSIO DA BIODIVERSIDADE

O Simpósio Integrado da Biodiversidade - SIBIO ocorreu de 22 a 26 de setembro, reunindo cerca de 280 participantes. Pela primeira vez, os programas de pós-graduação em Zoologia, Botânica, Entomologia e Ecologia e Conservação organizaram um evento em conjunto que promoveu atividades acadêmicas e extensionistas. Leia mais aqui

DISTÚRBIO DO SONO

Pesquisadores da UFPR estudaram a relação entre distúrbios do sono e mieloma múltiplo, destacando impactos na imunidade. O trabalho é conduzido pelo Laboratório de Neurofisiologia do Departamento de Fisiologia, e recebeu uma matéria completa no site da Agência Escola UFPR. Confira a matéria aqui.

Foto: Agência Escola/Divulgação

Foto: Arquivo pessoal

VISITA DE CAMPO NA FISIOTERAPIA

Entre setembro e outubro de 2025, estudantes da Fisioterapia da UFPR participaram de vivências em espaços termais de saúde no Sul do Brasil. As atividades ocorreram em Caldas da Imperatriz (SC) e Piratuba (SC), com foco em práticas integrativas e atenção à saúde. Saiba mais aqui.

EVENTO UNE REDE MUNICIPAL E UFPR

O X Workshop de Educação Física Escolar foi realizado em 1º de outubro de 2025, no Departamento de Educação Física da UFPR, com cerca de 500 participantes. Promovido pela Prefeitura de Curitiba em parceria com a UFPR, o evento destacou práticas inovadoras e reflexões sobre a atuação docente. A programação incluiu temas como inclusão, inteligência artificial e protagonismo estudantil. Saiba mais aqui.

Foto: Acervo pessoal

Foto: Acervo CAEF

SEMANA ACADÊMICA EDF

A Semana Acadêmica de Educação Física da UFPR aconteceu de 23 a 27 de outubro de 2023, no campus Centro Politécnico. O evento reuniu cerca de 200 participantes em oficinas, rodas de conversa e atividades práticas. Organizado pelo Centro Acadêmico, teve como foco a formação crítica e os desafios da atuação profissional. Leia a nota aqui.

REINAUGURAÇÃO DO MCN

No dia 23 de outubro, o Museu de Ciências Naturais (MCN) foi reinaugurado, com espaço ampliado e nova proposta expositiva! A cerimônia contou com a resença do Reitor e de cerca de 200 visitantes, incluindo a abertura da primeira exposição de curta duração: “Expedição Caminho das Águas”Saiba mais aqui.

Foto: ASPEC/Divulgação

Foto: Acervo pessoal

MEIO DIA PARANÁ

A reinauguração do Museu de Ciências Naturais saiu no programa Meio Dia Paraná, da TV RPC. A chamada indicava espaços culturais gratuitos para visitação em Curitiba e região.

Foto: Bem Paraná/Reprodução

BEM PARANÁ

A reinauguração do Museu de Ciências Naturais mobilizou vários veículos de mídia, como o Bem Paraná, que divulgação a reabertura do MCN.

Foto: PROAFE/Divulgação

EVENTO

O Novembro Negro UFPR, acontecerá de 1 de novembro ao dia 4 de dezembro, com uma programação pensada para fortalecer os compromissos da UFPR com a promoção da equidade racial e a construção de uma instituição antirracista.

Foto: CAFIS/Divulgação

EVENTO

A XX Jornada Acadêmica de Fisioterapia - “20 anos de História na UFPR: de onde viemos, onde estamos e por onde podemos trilhar”, acontecerá de 10 a 14 de novembro, no auditórios Gralha Azul (Campus Botânico) e SEPT (Campus Politécnico) da UFPR. O evento contará com palestras, mesas redondas, mostra de trabalhos científicos e apresentações culturais.

Foto: CABIOM/Divulgação

EVENTO

Vem aí o 8º Colóquio de Biomedicina UFPR - Edição especial para celebrar os 15 anos do curso. Organizado pelo centro acadêmico CABIOM, o evento contará com palestras e apresentação de diversos trabalhos. Anote a data: 19 de novembro de 2025 no Anfiteatro 10 do Setor de Ciências Biológicas (Campus Politécnico).

Foto: Divulgação

EVENTO

O Evento de comemoração aos 50 anos do Programa de Pós-graduação em Zoologia - 1975-2025 , acontecerá no dia 28 de novembro no Anfiteatro 10 do Setor de Ciências Biológicas (Campus Politécnico).

Foto: Divulgação

EXPOSIÇÃO

No dia 23 de outubro, foi inaugurada a primeira exposição temporária do Museu de Ciências Naturais da UFPR, “Expedição Caminho das Águas”, criada pelos Programas de Pós-Graduação do Setor de Ciências Biológicas.

Os visitantes podem percorrer 10 estações interativas e descobrir curiosidades sobre rios, mares, peixes, impactos dos plásticos e outros mistérios dos ecossistemas aquáticos.

A exposição está instalada em frente ao Museu de Ciências Naturais, no prédio central do Setor de Ciências Biológicas da UFPR. Venha conhecer!

Foto: UFPR Lixo Zero/Divulgação

EXPOSIÇÃO

A Biblioteca de Ciências Biológicas da UFPR apresenta a exposição “Resistência e Esperança”, do Projeto Meros do Brasil. A mostra reúne fotos que retratam a força dos ecossistemas marinhos e o trabalho de conservação do mero, espécie ameaçada de extinção. Venha visitar e mergulhar nessa história de preservação e esperança!

O servidor Anderson Luiz Christ chegou recentemente à Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde assumiu seu posto de Técnico em Assuntos Educacionais - Biólogo, no Museu de Ciências Naturais da UFPR. Vindo de uma trajetória acadêmica e docente no Rio Grande do Sul e depois em Santa Catarina, ele brinca que está "subindo um estado por vez". Especialista em Botânica, com forte ênfase em Taxonomia de Plantas, Anderson traz consigo uma sólida formação e paixão pela organização e classificação da biodiversidade. 

Nascido em 14 de março de 1994, em Três de Maio, no noroeste do Rio Grande do Sul, Anderson era, na infância, a típica criança fascinada por dinossauros, documentários sobre a fauna africana e programas como o Globo Repórter. Embora tenha cogitado seguir a área da Saúde, optou por cursar Ciências Biológicas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde iniciou sua jornada científica. 

Curiosamente, seu trabalho atual com taxonomia tem raízes na infância: por volta dos 7 ou 8 anos, colecionava pedaços de plantas, colava em cadernos e os rotulava, tornando-se o “terror das senhorinhas da rua” ao arrancar flores de seus jardins. Embora inicialmente desejasse trabalhar com zoologia ou paleontologia, teve uma reviravolta durante a graduação, quando redescobriu seu interesse pelas plantas.  

Na pós-graduação, realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele consolidou-se como taxonomista, a área metódica de classificar e descobrir relações. Para Anderson, a taxonomia tem um papel fundamental e prático: “O primeiro passo no conhecimento e aplicação de alguma coisa é acertar o nome”. Isso vale especialmente para as plantas: seja para um medicamento, um chá ou para comercialização, é essencial saber identificá-las corretamente. 

Sua especialização o levou a estudar o gênero Chromolaena, um grupo complexo com cerca de 70 espécies da família das margaridas (Asteraceae). O desafio de “entender o que diferencia uma da outra” explica por que poucos se dedicam a esse grupo. Em 2020, Anderson participou do lançamento do portal online da Flora do Brasil, contribuindo com o tratamento taxonômico do gênero — uma de suas maiores alegrias profissionais. 

Recém-chegado no UFPR e na cidade, relata que já conhecia o Campus e o Setor de Ciências Biológicas de uma visita feita durante o mestrado, por volta de 2017, quando veio para revisar a coleção do herbário para sua pesquisa. Ao subir a rampa de entrada no dia em que efetivamente começou a trabalhar na UFPR, foi que percebeu a coincidência. 

Integrante da equipe do MCN, Anderson começou o trabalho no mês da reforma e reabertura do Museu, o que exigiu grande flexibilidade. Ao mesmo tempo, relata a familiaridade com o espaço, tanto por se identificar com o ambiente das coleções e seu viés de organização, quanto porque pôde contribuir diretamente para a montagem da nova exposição permanente, o que criou uma familiaridade ainda maior com o espaço. 

Fora do trabalho, Anderson aprecia o turismo histórico, visitando museus, praças e ruas com arquitetura antiga. Também cultiva o hábito da leitura de ficção e dedica parte do tempo aos jogos eletrônicos como forma de relaxamento. Seu conselho para quem está começando na taxonomia ou na vida acadêmica é direto: “Vá com a cabeça aberta, com o emocional e o psicológico prontos para as coisas não darem certo!”. Para ele, é justamente nos erros e desafios que se encontra o verdadeiro aprendizado. 

Seguindo no caminho das águas, o Toque Final desta edição traz o registro da escultura “Tartaruga PET Socorro”, do artista Luiz Gagliastri, instalada na rampa de acesso ao Setor. A obra fez parte da programação da Semana UFPR Lixo Zero 2024 e permanece como um convite à reflexão e à ação. Funciona como repositório para a coleta de garrafas PET (sem tampa), que são recolhidas regularmente pelo projeto filantrópico Mãos que Valen — iniciativa com sede no bairro Mossunguê que atende crianças com deficiências múltiplas. Participe!

Foto: ASPEC/Divulgação

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Até a próxima!

EXPEDIENTE

ℹ️ O BIONEWS é enviado mensalmente à comunidade do Setor de Ciências Biológicas da UFPR pela Aspec (Apoio a Projetos Educacionais e Comunicação), com base nas notícias publicadas nos portais do SCB, da UFPR e em veículos de mídia que disseminam nossos trabalhos. Para divulgar sua pesquisa, projeto ou evento, entre em contato pelo e-mail. Acompanhe as novidades do Setor pelo bio.ufpr.br. Siga também o Biológicas no Instagram: @bl_ufpr